[Decidi fazer uma espécie de "resenha dupla" para o filme. A parte 1 é sobre as primeiras impressões que tive e mundo nerd, e a segunda... about love, again.]

Fui assistir a "apenas o fim", filme rodado pelo jovem diretor Matheus Souza com um orçamento baixíssimo e altamente proclamado pelos críticos de cinema ultimamente. Como todo filme muito elogiado, confesso que esperava mais, tanto pelos artigos que havia lido, quanto pelos comentários de amigos. Mas se há algo que pode resumir o roteiro do filme é: "todo poder aos nerds".
A história é simples: a namorada vai terminar um relacionamento e ir embora. O filme mostra o diálogo final do casal, fazendo um balanço da relação e, de certo modo, da vida. A graça do filme é o personagem principal, feito pelo ator Gregório Duvivier. Ele faz o perfeito nerd da geração 2000. Não é aquele cara anti-social que não tem amigos. É o nerd cheio de referências pop, com aquele jeitinho estranho, mas sem deixar de ter seu charme e personalidade. O roteiro é repleto de falas sensacionais com referências diretas à cultura nerd moderna. "A nossa relação é como o número 1 do Mc Donalds, só que sem picles", explica o nerd, falando que amor não é tudo igual. Mas o melhor foi quando a namorada reclama dos óculos do avô (nerd glasses) e das camisetas do star wars. Ele retruca: "então você está me dizendo para não usar mais a camiseta da maior trilogia de todos os tempos e jogar fora os óculos do meu avô...". E diz que clichê é falar que falar de amor é clichê (eu e meus clichês fundamentais!).
Acho que o personagem é um alterego do próprio diretor, aluno de cinema da PUC-Rio (cinéfilos, "diz-me o que assistes e te direi quem és": Truffaut e Antoine Doinel). Vejam, por exemplo, a entrevista do autor para o site da Rolling Stone sobre o filme. Mais nerd geração 2000 impossível. É o cara que tá no twitter, bloggando, e misturando cultura pop-trash com filme cult. É a mistura do Woody Allen com o Marcelo Camelo, rs.
Além disso, há uma metalinguagem interessante no filme: ao mesmo tempo em que o casal discute o fim, está sendo rodado dentro do filme, na PUC-Rio, um outro filme por estudantes da mesma universidade... e o nerd é estudante de cinema de lá.
Concordo que o filme faz um retrato de uma geração (essa foi a frase mais escrita em todas as críticas que li). É o retrato da própria geração do diretor. É um filme com humor, mas não é "a salvação do cinema nacional" - até porque não acredito em crítico que fala que algo é "a salvação" de algum tipo de arte. Só achei desnecessário alguns personagens que aparecem durante o filme, sendo que a história se concentra mesmo no diálogo do casal.
Considerando as limitações de espaço e equipamento (o equipamento foi emprestado pela PUC-Rio e, por isso, o diretor teve que fazer todo o filme no campus da universidade), orçamento, e tudo mais, Matheus Souza conseguiu fazer um filme bom e divertido. E só reforça a tendência que se vê hoje: "ser nerd é hype". É, todo poder aos nerds, rs.

Sobre o fim
Engraçado que enquanto estava pesquisando informações e resenhas sobre o filme comecei a ouvir a seguinte música:
"Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar"
(Los hermanos, conversa de botas batidas)
Justo los hermanos que é uma banda tão relacionada ao filme.
É, é o fim. Um relacionamento, um amor, momentos, enfim, o fim. Filmes que tratam do final de um relacionamento existem muitos. Mas esse trata de uma maneira diferente. Acabei de me lembrar de dois posts que fiz em conjunto com a Bruna no ano passado. Dois posts sobre o amor, com muita cultura pop. O amor é pop. Sim, ele está em lugar, não há como fugir. Por isso digo que ele é um dos meus clichês fundamentais.
Engraçado que enquanto estava pesquisando informações e resenhas sobre o filme comecei a ouvir a seguinte música:
"Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar"
(Los hermanos, conversa de botas batidas)
Justo los hermanos que é uma banda tão relacionada ao filme.
É, é o fim. Um relacionamento, um amor, momentos, enfim, o fim. Filmes que tratam do final de um relacionamento existem muitos. Mas esse trata de uma maneira diferente. Acabei de me lembrar de dois posts que fiz em conjunto com a Bruna no ano passado. Dois posts sobre o amor, com muita cultura pop. O amor é pop. Sim, ele está em lugar, não há como fugir. Por isso digo que ele é um dos meus clichês fundamentais.
É apenas o fim. O que se passou junto não será apagado (a menos que você vá à "lacuna inc."...), e isso inclui os bons momentos (assim vai mais uma referência cinematográfica da nossa geração). É claro que o fim de um relacionamento não é um momento legal, mas nem por isso ele tem que ser excessivamente dramático, novelístico e, aí sim, clichê. Nesse sentido, o filme tem muito a acrescentar as minhas divagações cotidianas sobre o que é o amor.
Um comentário:
paulinha, teu discurso é muito legal!! uma crítica bem articulada e sem aquele toque nonsense de críticos afamados, gordos e gays que discutem nos grandes jornais.logo, concluo eu: ou talvez vc se torne gorda, gay e afamada por esses jornais (bad choice) ou vc muda tudo isso - divulgando neste meio virtual a todos os que podem!!
ps: caso queria companhia para próximos filmes, please, it will be a pleasure for me being invited by you.
bj
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