
Quando eu tinha 12 anos, o filme febre de 10 entre 10 adolescentes era Titanic. Na maioria das vezes, as meninas curtiam o filme por causa do Leonardo Di Caprio, ator sensação e amor platônico da minha geração “teen”. Mas, sinceramente, o Leonardo Di Caprio nunca fez o meu tipo e eu achava a atuação dele sem brilho, nada demais no filme. O que me fez ser mais uma adolescente que viu o filme várias vezes e sabia de cor diálogos inteiros? E aí que entra o título: eu achava a personagem da Kate Winslet – a Rose – sensacional. Digamos que ela foi o primeiro modelo da minha adolescência.
Imagine uma mulher de temperamento difícil e opiniões fortes lá pela década de 20. Essa era a Rose: não estava nem aí pra opinião da sociedade e fazia o que queria. Deu um pedala na mãe e no noivo pra ficar com o Jack (personagem do Leonardo Di Caprio). Continuando na linguagem informal de hoje, ela “chegou chegando” no Jack. Eu achava isso o máximo, “girl power” total! Considerando que eu também faço parte da geração da Bela de “A bela e a fera”, a garota que lia, escolhia pretendentes pela inteligência e ainda salvava o pai, nada mais justo que tomar a Kate Winslet de modelo quando tinha 12 anos.
Eu lembro que, quando a Kate Winslet foi indicada ao Oscar de melhor atriz por Titanic, a primeira indicação dela, eu, no início da minha adolescência, torci por ela. Hoje digo ainda bem que ela não ganhou naquela época. Ela tinha feito poucos trabalhos e ganhar um Oscar por apenas um blockbuster não é algo tão meritório assim. E ainda viraria “a atriz que fez Titanic e ponto”.
Hoje, seis indicações depois e um Oscar recém-recebido, o cenário é outro: muitos filmes e atuações ótimas em trabalhos diversificados. Como não citar, por exemplo, a Clementine, de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”? Nada a ver com Titanic, no sentido de filme blockbuster com roteiro óbvio de história de amor com o ator mais queridinho do momento.
O último filme e o papel merecedor do Oscar, “O leitor”, é muito bom. A personagem Hannah Schmitz é complexa porque, ao mesmo tempo em que se sente raiva por ela ter trabalhado para o regime nazista e contribuído para o holocausto, há uma certa história de amor bastante contraditória. Algumas pessoas falaram que o modo com que o filme retratou a personagem deu margem a “ter pena de meros executores de ordens nazistas”. Não concordo com isso. O filme não retira em nenhum momento a culpa de Hannah pelo acontecido. Apenas concordo em certo sentido com o questionamento do colega de Michael Berg jovem (David Kross) na aula de direito em Heidelberg: todos estão lá no julgamento para condenar as acusadas a qualquer custo, sem devido processo legal e esquecendo qualquer garantia do processo penal. É a velha questão que aprendi nas aulas de criminologia: a sociedade tem a necessidade de jogar todo mal do mundo em cima dos criminosos, atirá-los na fogueira e tudo vira um circo.
Independente desses questionamentos, a atuação de Kate Winslet no filme é realmente boa. Dessa vez, vou concordar que academia acertou no Oscar.
Imagine uma mulher de temperamento difícil e opiniões fortes lá pela década de 20. Essa era a Rose: não estava nem aí pra opinião da sociedade e fazia o que queria. Deu um pedala na mãe e no noivo pra ficar com o Jack (personagem do Leonardo Di Caprio). Continuando na linguagem informal de hoje, ela “chegou chegando” no Jack. Eu achava isso o máximo, “girl power” total! Considerando que eu também faço parte da geração da Bela de “A bela e a fera”, a garota que lia, escolhia pretendentes pela inteligência e ainda salvava o pai, nada mais justo que tomar a Kate Winslet de modelo quando tinha 12 anos.
Eu lembro que, quando a Kate Winslet foi indicada ao Oscar de melhor atriz por Titanic, a primeira indicação dela, eu, no início da minha adolescência, torci por ela. Hoje digo ainda bem que ela não ganhou naquela época. Ela tinha feito poucos trabalhos e ganhar um Oscar por apenas um blockbuster não é algo tão meritório assim. E ainda viraria “a atriz que fez Titanic e ponto”.
Hoje, seis indicações depois e um Oscar recém-recebido, o cenário é outro: muitos filmes e atuações ótimas em trabalhos diversificados. Como não citar, por exemplo, a Clementine, de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”? Nada a ver com Titanic, no sentido de filme blockbuster com roteiro óbvio de história de amor com o ator mais queridinho do momento.
O último filme e o papel merecedor do Oscar, “O leitor”, é muito bom. A personagem Hannah Schmitz é complexa porque, ao mesmo tempo em que se sente raiva por ela ter trabalhado para o regime nazista e contribuído para o holocausto, há uma certa história de amor bastante contraditória. Algumas pessoas falaram que o modo com que o filme retratou a personagem deu margem a “ter pena de meros executores de ordens nazistas”. Não concordo com isso. O filme não retira em nenhum momento a culpa de Hannah pelo acontecido. Apenas concordo em certo sentido com o questionamento do colega de Michael Berg jovem (David Kross) na aula de direito em Heidelberg: todos estão lá no julgamento para condenar as acusadas a qualquer custo, sem devido processo legal e esquecendo qualquer garantia do processo penal. É a velha questão que aprendi nas aulas de criminologia: a sociedade tem a necessidade de jogar todo mal do mundo em cima dos criminosos, atirá-los na fogueira e tudo vira um circo.
Independente desses questionamentos, a atuação de Kate Winslet no filme é realmente boa. Dessa vez, vou concordar que academia acertou no Oscar.
* Foto: David Kross e Kate Winslet no Festival de Berlim.
2 comentários:
E já a estão comparando com a "lendária" Meryl Streep, que, na idade que a Kate Winslet tem agora, tinha menos premiações. Que acha?
Alô!
Aí vai a Teoria da Abobrinha que eu estava te devendo:
http://altusnefelibata.blogspot.com/2007/04/teoria-da-abobrinha.html
Abração =]
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