domingo, 20 de setembro de 2009

Não temos praia

o problema de ser paulistano é que não temos uma praia logo na esquina.

É, São Paulo não foi planejada, nem imaginada. Aconteceu, por um azar - ou seria sorte? - do destino. Os paulistanos eram vistos no Brasil colônia como uns caipiras: aquele povo que morava lá no sudeste do Brasil, uns comedores de formiga. Os portogas certamente tiravam os paulistanos: só bandeirantes, o povo que fica lá, depois da serra do mar. E que serra! Muito persistente o português que resolveu desbravar a serra para chegar em terras paulistanas. Mas a capitania de São Vicente já começara mal: pau brasil não dá aqui, não. Foi só quando o comércio de cana de açúcar começou a desandar que os paulistanos começaram a virar protagonistas do lugar. Primeiro a descoberta do ouro nas minas gerais. E, finalmente! O Café! Sim! Tínhamos a terra perfeita para o plantio de café. A região começou a se desenvolver e aqui estamos.

Sabe-se lá porque o imperador resolveu colocar um dos primeiros cursos jurídicos do Brasil em São Paulo. Álvares de Azevedo, um dos alunos, odiava a cidade. Causava-lhe tédio. Sim, não temos praia. Sim, somos paulistanos. Sim, moramos em uma cidade cinza. O Rio de Janeiro continua lindo... mas, e daí? Temos o trânsito mais caótico, as pessoas mais agitadas, as grandes empresas, as massas trabalhadoras, concreto, concreto, concreto... mas essa grande metrópole é formada por pessoas, pessoas de todos os lugares, com as mais diversas histórias e preferências... e dessas pessoas se forma a mistura cultural que São Paulo é. E muita de sua beleza vem daí.

Não temos praia. Mas não me importo. O mais legal em ser paulistano é saber conviver com o caos e ver a sua beleza por trás de todo esse cinza caótico que nos envolve na loucura da rotina.

3 comentários:

jow disse...

às vezes, de tudo ser tão cinza, penso que eu já tomei essa cor. sim, pq moreno jamais ficaria - e a razão é simples: não temos a praia que os cariocas tem.

texto diferente para a esfera do blog.

gostei, mas poderia diminuir na contextualização histórica - torna o texto muito denso.

bj

Nefelibata disse...

"Comedores de formiga", hahaha, adorei isso! Gosto de ficar imaginando também como era penetrar neste pedaço de chão cuja beleza natural é hoje apenas um átimo do que já foi. Muito boa a narrativa. Eu gostei =p

Quanto à questão da praia... olha, eu adoro praia, mas não gosto de muvuca... o que me faz pensar que se tivesse uma praia logo ali, provavelmente eu não gostaria tanto do mar como gosto hoje =p Acho que o mar fica numa distância ideal, nem na esquina, e nem muito longe, só duas horinhas daqui (se não for com a muvuca, claro). Vou te contar; quando vou pra Brasília, me dá um aperto de estar a dias do litoral, viu.

Grande abraço!

jow disse...

atualiza mais não?