ponto de ônibus.
ela se questionava como as pessoas ficam tão óbvias quando gostam de alguém. não apenas gostar, na realidade, mas quando ficam naquele estágio de se apaixonar. como era possível isso acontecer, justo com um sentimento que não é nada óbvio? sentimento que todo mundo questiona, sempre tem um amargurado que diz "não acredito mais no amor" - até o próximo ser que o faça esquecer a razão de ser. sempre tem um adolescente se matando com um sentimento que nem viveu ainda, mas tem certeza que existe - pelo menos é o que diz aquela música que ele ouve diversas vezes por dia. e a maioria da metrópole que não tem muito tempo para pensar nisso, vive a vida apenas e pensa que o amor é aquilo que passa na novela das oito. bullshit, pensa ela.
o tempo ia virar. não aguentava mais o tempo daquela cidade. mas o que ela queria entender era a mudança sentimental das pessoas. ela se irritava porque nunca conseguia perceber quando passava do estado normal para o momento óbvio. e ela odiava ser óbvia. e se esforçava para não ser. todo esforço para racionalizar algo. talvez impossível? tão racional, tão planejado, tão... imprevisível.
é, ela nunca vai (se) entender.
Um comentário:
é obvio.
mas reluto em dizer.
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